Hoje oficialmente começam as resenhas literarias aqui no blog. Será uma por semana (todo Domingo)…Quer uma resenha especial? Peça nos comentários .

A resenha de hoje é sobre o livro

O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO

Sinopse: 

O Apanhador no Campo de Centeio narra, em primeira pessoa, alguns acontecimentos ocorridos na vida do jovem de 16 anos, Holden Caulfield. 

“[…] E, afinal de contas, não vou contar toda a droga da minha autobiografia nem nada. Só vou contar esse negócio de doido que me aconteceu no último Natal, pouco antes de sofrer um esgotamento e de me mandarem para aqui, onde estou me recuperando. […]” Pág. 07

Holden estudava no Internato Pencey, um colégio particular para garotos, mas acaba sendo expulso por ter sido reprovado em quase todas as matérias (com exceção de Inglês, que é a única matéria que ele “domina”) e tem que voltar mais cedo para casa. 

Nesse regresso, Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. 

A sinopse escrita acima, foi retirada do Skoob,  a edição que li não possuía nenhuma sinopse, ou qualquer informação com respeito ao conteúdo do texto. Eu escolhi ler esse livro por causa de um cantor que eu amo Gerard Way, ele havia dito que era seu livro favorito entao resolvi ler ha alguns anos atras.

Holden Caulfield é um jovem, recém-saído da adolescência, mas que apresenta uma mente ainda confusa e cheia de conflitos. Pelo que percebi, e como podem ler na citação da sinopse, ele conta “esse negócio doido” que aconteceu com ele de um local que pode ser um hospital psiquiátrico ou coisa semelhante, onde está se recuperando. Isso, imagino eu, devido a algum problema mental, ou uma depressão, já que ele tem/cria uns pensamentos, medos e questionamentos um tanto “diferentes” no decorrer do livro e ele chora as vezes sem saber o motivo. 

“[…] Naquele tempo eu tinha dezesseis anos — estou com dezessete agora — mas de vez em quando me comporto como se tivesse uns treze. E a coisa é ainda mais ridícula porque tenho um metro e oitenta e cinco e já estou cheio de cabelos brancos. Estou mesmo. Um lado da minha cabeça — o direito — tem milhões de cabelos brancos desde que eu era um garotinho. […]” — Pág. 14

Ele tinha três irmãos, um mais velho chamado D.B. que é escritor e mora em Hollywood, Phoebe, sua irmã menor, e Allie, que morreu de leucemia há alguns anos. Holden ainda não se recuperou da perda e fica relembrando e se apoiando nas lembranças do irmão, que ele tanto amava, e acaba criando um “fantasma” que acha que o ajuda em alguns momentos. 

No livro todo há vários simbolismos, como por exemplo, o questionamento de para onde vão, durante o inverno, os patos que vivem no lago sul do Central Park, que desaparecem, voltam e não deixam nenhum sinal de onde vão a cada estação; ele compra um chapéu de caça vermelho que usa em vários momentos, como uma espécie de escudo; o próprio título do livro, que é explicado durante uma conversa dele com a irmã; etc. 

Holden é um jovem, aparentemente comum, é educado, apesar de desbocado, aventureiro etc. Não é de fazer amigos, pois desconfia das pessoas e as consideram muito falsas. Gosta de ler mas odeia cinema. Reclama de tudo. Fuma como um doido. E nessa sua viagem de volta para casa, perambula por Nova York, encontra algumas pessoas, inclusive uma prostituta, vai a bares, onde muitas vezes é barrado quando pede bebidas alcoólicas, em suma, é um cara sem leis, que gosta de fazer o que bem deseja, do jeito que quer.

Odeio o cinema como se fosse um veneno, mas me divirto imitando os filmes. […] Tudo o que eu preciso é de uma plateia. Sou um exibicionista. ” — Pág. 33

A linguagem do livro é muito boa e isso faz com que a gente prossiga na leitura fluentemente, mesmo o livro tendo sido lançado pela primeira vez em 1951, o autor usa umas palavras e gírias da época como, por exemplo, “alguma coisa é boa pra chuchu” ou “aconteceu isso comigo, no duro” ou “ ele era um bocado inteligente ou coisa que o valha” etc, e é bastante interessante para entendermos a mente de um jovem da época pós Segunda Guerra Mundial, ainda por cima, um com probleminha na cabeça. Haha O livro/personagem também tem lá seu humor, como é visto na citação abaixo: 

“O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: “Muito prazer em conhecê-lo” para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo. ” — Pág. 89

O livro é relativamente pequeno em termos de páginas, mas tem muita história contada, os capítulos narram, em sua maioria, encontros, vivências e desencontros, numa espécie de diário de poucos dias, tanto em Nova York quanto na Pennsylvania, onde ele estudava. Ele também é regado a lembranças da infância e de outros momentos da vida de Holden. Mas termina de uma forma aberta, onde não sabemos o que acontece com ele depois da última página, não sabemos o porquê de várias coisas, isso me chateou um pouco pois queria mais, queria saber mais da personalidade dele e algumas respostas de questionamentos feitos por ele durante a narrativa. Mas no todo, o livro é muito bom. 

 
Eu recomendo a todos, mas já digo que haverá pessoas que irão amar e outras que não irão gostar ou entender o que o Salinger queria passar, pois nem eu sei se entendi tudo o que ele queria passar. Kkk
Já vou avisando que é um livro para maiores de 17 anos (na minha opinião) do contrário não vai entender nada e vai ficar um pouco horrorizado pelas palavras do personagem.


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